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Archive for the ‘1º ano 1/2011’ Category

Desrespeito ao Carlos Techentin

A longa história do caos na minha escola, EEB Carlos Techentin no bairro Passo Manso!

 

REPERCUSSÃO NA IMPRENSA

Alunos do Carlos Techentin fazem protesto para não serem retirados do bairro onde vivem! Assista à reportagem exibida dia 19/10/2011

 Superlotação no Passo Manso: problema anunciado (Portal Controversas)

Estado avalia transferir Ensino Médio de escola de Blumenau do Bairro Passo Manso para a Itoupava Norte

Alunos protestam contra mudanças em escola de Blumenau

 

Carta de Repúdio à Implantação do Turno Intermediário
A comunidade escolar da EEB Carlos Techentin vem a público apresentar seu descontentamento com a implantação do turno intermediário na referida escola. Para que se possa compreender a criação desse turno, faz-se necessário voltar no tempo, ao fatídico mês de novembro de 2008.
Por ocasião das chuvas constantes que assolaram a região do Vale do Itajaí no mês de novembro de 2008 – provavelmente, o momento mais crítico que está região já vivenciou – Blumenau enfrentou uma enchente que provocou estragos na cidade como os deslizamentos de terra de morros da região, levando abaixo casas e pessoas. A triste realidade era de grande destruição material e perdas de vidas humanas, alem disso a população sofreu também com a falta de água e de alimentos.
A situação na qual se encontrava a cidade e a região ficou conhecida como “A catástrofe”, o evento foi noticiado no Brasil e no mundo e assim a população de Blumenau pode receber a ajuda voluntária de um interminável número de pessoas que deixaram sua casa e famílias para ajudar a população a reerguer a cidade. Muitos foram os incentivos: liberação de recursos do FGTS, empresários que se organizaram e mobiliaram casas, emissoras de televisão que organizaram campanhas de arrecadação de dinheiro, mas nada poderia ser reerguido sem a participação do poder público. Este se viu obrigado a organizar a cidade de forma estratégica para que uma nova catástrofe não afetasse novamente a cidade. Assim um convênio entre a Prefeitura Municipal, o Governo do Estado de Santa Catarina e o Governo Federal deu início a construção de condomínios habitacionais para receber as famílias atingidas que estavam morando em abrigos comunitários. Um dos bairros escolhidos foi o Passo Manso, que por ter sua geografia privilegiada tornou-se a melhor opção para abrigar os novos moradores.
Neste contexto a Escola de Educação Básica Carlos Techentin surgiu como a melhor opção para receber os filhos das famílias que teriam suas residências no bairro Passo Manso. Em janeiro de 2009 a direção e os professores da escola começaram a se articular vislumbrando a possibilidade real da ampliação física da unidade escolar. Na época contava com aproximadamente 600 alunos. Considerando que o número de famílias atendidas no condomínio, do programa do governo federal “Minha casa, minha vida”, seria de aproximadamente 500, era visível a necessidade de ampliação ou até mesmo a construção de uma nova escola.
No entanto, durante os anos de 2009 e 2010 a comunidade do bairro Passo Manso e a comunidade escolar do Carlos Techentin presenciaram o andamento da obra de construção do condomínio sem que nenhuma intervenção significativa fosse realizada no bairro; não se ampliou o número de vagas na creche municipal, não se ampliou o número de vagas nas escolas de educação básica da rede municipal, não se ampliaram as opções de lazer. O bairro afastado do centro, mas com excelente topografia continuava a não merecer um olhar digno dos poderes públicos.
A parte toda esta situação apresenta, em 9 de junho de 2011, com a presença da Presidente Dilma Rousseff, o condomínio foi entregue às famílias atingidas pela catástrofe. Uma vida nova e com segurança e dignidade não era mais uma promessa e sim uma realidade. No entanto, ao procurar vaga nas escolas para matricular seus filhos, as famílias se deparam com um novo problema: não há vagas.
A solução apresentada às famílias foi a implantação do turno intermediário. Assim poderão matricular seus filhos, eles ficarão na escola pelo período máximo de 3 horas e 30 minutos; a opção dada pela Secretaria de Estado da Educação é de que os alunos frequentem à escola mas, será que terão as condições mínimas que os documentos oficiais de educação garantem? Os alunos já matriculados na Unidade Escolar também terão suas aulas reduzidas, sendo que o turno matutino terá início às 7 horas e 10min e terminará às 10 horas e 35, o turno vespertino terá início às 14 horas e 10min e terminará às 17horas e 50 min. Assim tanto os alunos novos como também os alunos que já estão matriculados na escola serão prejudicados.
A Constituição da República Federativa do Brasil na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n.° 9394/96), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Estadual (Lei Complementar n.° 170/98) e ainda o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n.° 8.069/90) são os documentos oficiais que regem todas as práticas educativas em território nacional e especificamente no estado de Santa Catarina. Nas três Leis a educação é um direito de natureza social ou de segunda grandeza. Tem por fundamento a afirmação da igualdade, em contraposição aos direitos de primeira geração, fundados na liberdade individual. O artigo 208, parágrafo primeiro, da Constituição Federal define a educação como direito público subjetivo. Frise-se, contudo, que não basta que simplesmente sejam ministradas aulas para que seja considerado como satisfeito o dever de educar, a educação é bem mais abrangente, é um processo que demanda atuação eficaz tanto dos pais quanto da escola e que, para atingir o seu fim, necessariamente precisa de qualidade. É o que se depreende do artigo 206, VII, da Constituição Federal.
Conforme todo o exposto nesta carta, a comunidade escolar do Carlos Techentin quer ainda lembrar que a unidade escolar não conta com biblioteca (o acervo encontra-se em dois armários no pátio da escola), não tem refeitório, não tem banheiros adaptados, não apresenta acesso adequado ao ginásio de esportes, não tem sala de professores, e a sala informatizada está sucateada e sem manutenção correndo o risco de também não existir mais no próximo ano. Além disso, nossa escola não possui segurança física (não temos uma portaria adequada, muros ou portões, situação que facilita a entrada de estranhos ao ambiente escolar) para receber seus alunos. Lembro aqui as palavras da própria gerente regional de educação, senhora Simone Malheiros, que visitou a escola no último dia 7 de julho: “a escola Carlos Techentin é uma escola que está emendada”. Neste mesmo dia a gerência de ensino representada pela senhora Simone Malheiros expos, em reunião com a comunidade do bairro Passo Manso, que não há prazo para que a ampliação da escola aconteça, o que nos leva a acreditar que o turno intermediário será implantado em definitivo.
Os membros da unidade escolar acreditam que há necessidade urgente de se resgatar a cidadania e a dignidade das famílias que foram atingidas pela catástrofe em 2008. Cremos que mais do que matriculá-los em nossa escola é preciso dar condições mínimas de se integrarem à comunidade escolar de forma plena e efetiva. Mais do que estar na escola as crianças precisam se sentir acolhidas e seguras no ambiente escolar.
Em face desta situação de descaso pedimos ao Governo do Estado de Santa Catarina que se posicione apresentando uma data para a ampliação de nossa escola ou a construção de um novo educandário. No entanto, compreendendo que as crianças têm direito aos 200 dias letivos ou às 800 horas-aula, apresentamos como alternativa a não implantação do turno intermediário, mas sim que sejam utilizadas as salas de aula ociosas, no período vespertino, no colégio Pedro II. Assim facilitaria também a contração de professores, visto que a escola está em uma região central da cidade. Para maior segurança das crianças entendemos que ideal é que sejam encaminhadas através de ônibus exclusivos para essa finalidade, sendo embarcadas no próprio condomínio onde moram e ao final do dia serem entregues às suas famílias com total segurança.
Aguardamos um breve e satisfatório posicionamento das autoridades que zelam pelo bem estar das crianças e dos adolescentes.
Comunidade da Escola de Educação Básica Carlos Techentin

No entano, os esforços da comunidade não conseguiram impedir a implantação do turno intermediário. Agora o Governo do Estado da Santa Catarina e Ministério Público querem resolver o problema assim…

TERMO DE AUDIÊNCIA EXTRA-JUDICIAL

Aos 14 de outubro de 2011, compareceu ao gabinete desta Promotoria de Justiça os representantes da Secretaria de Desenvolvimento Regional – Amana Kauling Stringari e Cleverton João Batista (Gerente de Projetos Especiais); Secretaria Municipal de Educação – Osmar Matiola; Secretaria Estadual de Educação – Simone Malheiros e Maria Isabel Porto Paes Schulz; Diretora da Escola E. Carlos Techentin – Inara Margot Xavier Gama, objetivando regularizar a situação dos alunos da Escola Carlos Techentin, que estão fazendo turno intermediário. Pela Promotora de Justiça foi dito que mantém a posição de contrária ao turno intermediário para o ano de 2012, em razão dos vários problemas já relatados. Foi proposto pela Secretaria Estadual de Educação mudar o ensino médio da Escola Carlos Techentin para a Escola Max Tavares, o que possibiltaria que o ensino fundamental fique a cargo da Carlos Techentin. Restariam os primeiros anos, que poderão ser absorvidos pelo Município. Pelo Secretário Municipal de Educação foi dito que uma turma a escola municipal consegue absorver, não havendo condições de absorção de todas as turmas de 1ºs anos. Pelos representantes da SDR foi dito que o projeto para a reforma (construção) da escola está finalizado, pendente, unicamente, de análise da SEPLAN. Assim que o projeto for aprovado, a SDR pretende iniciar o processo licitatório. Segundo a procuradoria da SDR, o objetivo é iniciar o processo licitatório ainda este ano, para inicio das obras no em janeiro de 2012 ed conclusão até o inicio do ano letivo de 2013. Restou deliberado que o Ministério Público enviará em 5 dias, aos presente, proposta de TAC – Termo de Ajustamento de Condutas, a ser firmado. O compromisso necessitará, também, ser firmado pelo Sr Secretário de Estado da Educação de Santa Catarina. Nada mais havendo, encerro o presente termo que segue assinado pelos presentes.”

Este é o texto do Termo de Audiência Extra-Judicial, registrado sob SIG nº 06.2011.005129-6, que mais uma vez não leva em conta os interesses de uma comunidade e de seus alunos. Se for decidido desta maneira, os alunos terão que se deslocar cerca de 10 km ou mais para poderem concluir seus estudos de Ensino Médio. ESTÁ FALTANDO VERGONHA NA CARA DE MUITA GENTE E AÇÃO DE OUTRAS. FOMOS FEITOS REFÉNS DE UMA FALTA DE COMPROMISSO DO GOVERNO COM FAMÍLIAS, ALUNOS E PROFESSORES DA E.E.B. CARLOS TECHENTIN

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Oficina de criação literária: Autorretrato

Oficina de criação de poemas realizada pelos alunos do 1º ano 1 após as leituras dos poemas com a temática do autorretrato.

Autorretrato

 

Ane Caroline Araldi

Sou quem o mundo pode confiar

Aquela que ninguém pode duvidar,

Sou quem minha aparência pode enganar

No seu ponto se vista, modo de analisar.

 

Atrás deste meu silêncio

Me perco em tanto pensar:

Será que um dia as pessoas irão mudar?

Valorizar a vida e não a desperdiçar?

 

Se algum dia precisar conversar,

Meu ombro estará aqui pra você chorar.

Sou quem na vida você pode contar.

 

Pro mundo conhecida como uma garota,

Pra Deus, como uma seguidora

E pra você, uma simples escritora.

 

1º ano 1

Alunos do 1º ano 1, turma do Ensino Médio, no turno matutino na Escola de Educação Básica Carlos Techentin.

 

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Autorretrato – Repertório Poético III

Os primeiros poemas que compõem o Repertório Poético dos alunos do 1º ano 1 do Ensino Médio foram apresentados, lidos e discutidos em sala de aula.

Eu (Florbela Espanca)

Eu sou a que no mundo anda perdida,

Eu sou a que na vida não tem norte,

Sou a irmã do sonho, e desta sorte

Sou a crucificada…a dolorida…

 

Sombra de névoa tênue e esvaecida,

E que o destino amargo, triste e forte,

Impele brutalmente para a morte!

Alma de luto sempre incompreendida!…

 

Sou aquela que passa e ninguém vê…

Sou a que chamam triste sem o ser…

Sou a que chora sem saber porquê…

 

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,

Alguém que veio ao mundo pra me ver,

E que nunca na vida me encontrou!

 

Poema de Sete faces

Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

 

As casas espiam os homens

que correm atrás de mulheres.

A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos.

 

O bonde passa cheio de pernas:

pernas brancas pretas amarelas.

Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.

Porém meus olhos

não perguntam nada.

 

O homem atrás do bigode

é sério, simples e forte.

Quase não conversa.

Tem poucos, raros amigos

o homem atrás dos óculos e do bigode.

 

Meu Deus, por que me abandonaste

se sabias que eu não era Deus

se sabias que eu era fraco.

 

Mundo mundo vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração.

 

Eu não devia te dizer

mas essa lua

mas esse conhaque

botam a gente comovido como o diabo.


Autorretrato (Fernando Pessoa)

Quando olho para mim não me percebo.

Tenho tanto a mania de sentir

Que me extravio às vezes ao sair

Das próprias sensações que eu recebo.

 

O ar que respiro, este licor que bebo,

Pertencem ao meu modo de existir,

E eu nunca sei como hei de concluir

As sensações que a meu pesar concebo.

 

Nem nunca, propriamente reparei,

Se na verdade sinto o que sinto.

Eu Serei tal qual pareço em mim?

 

Serei Tal qual me julgo verdadeiramente?

Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,

Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.

 

Autorretrato (Manuel Bandeira)

Provinciano que nunca soube

Escolher bem uma gravata;

Pernambucano a quem repugna

A faca do pernambucano;

Poeta ruim que na arte da prosa

Envelheceu na infância da arte,

E até mesmo escrevendo crônicas

Ficou cronista de província;

Arquiteto falhado, músico

Falhado (engoliu um dia

Um piano, mas o teclado

Ficou de fora); sem família,

Religião ou filosofia;

Mal tendo a inquietação de espírito

Que vem do sobrenatural,

E em matéria de profissão

Um tísico profissional.

 

Com licença poética (Adélia Prado)

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

— dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.

Repertório Poético – II (Atualizado)

Começamos hoje a confecção do portifólio que abrigará o Repertório Poético dos alunos do 1º ano 1. (Já estão no slide as imagens dos trabalhos dos alunos.)

 

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Cantiga da Ribeirinha

 

Em Portugal, o Trovadorismo teve início com a “Cantiga da Ribeirinha”, também conhecida como “Cantiga de guarvaia”, escrita em 1189 ou 1198 e atribuída a Paio Soares de Taveirós. Segundo a tradição literária, essa cantiga – primeiro texto de literatura portuguesa – teria sido oferecido a Maria Pais Ribeiro, a “Ribeirinha”, amante de d. Sancho, rei de Portugal.
A cantiga de Ribeirinha foi a primeira imagem da mulher na literatura portuguesa.

No mundo nom me sei parelha,

Mentre me for’ como me vai,

Ca já moiro por vos – e ai!

Mia senhor branca e vermelha

Queredes que vos retraia

Quando vos eu vi em saia!

Mau dia me levantei,

Que vos enton non vi fea!

 

E, mia senhor, dês aquel di’,ai!

Me foi a mi mui mal,

E vos, filha de don Paai

Moniz, e bem vos semelha

D’aver eu por vos guarvaia,

Pois eu, mia senhor, d’alfaia

Nunca de vos ouve nen ei

Valia d’ua correa.

Notas Explicativas

Non me sei parelha: não conheço quem se compare a mim

Mentre: enquanto

Moiro: morro

Senhor: senhor ou senhora

Branca e vermelha: alava e de faces rosadas

Retraia: retrate, pinte, descreva

Em saia: sem manto

Que vos enton non vi fea: pois percebi que não era feia

Des: desde

Bem vos semelha: bem vos parece

D’aver eu por vos: receber por seu intermédio

Guarvaia: veste de luxo

Alfaia: presente, brinde

Valia d’ua correa: qualquer coisa de poço valor

Como se tornar um poeta sensível

Exercícios de produção textual: POESIA. 

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