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Archive for the ‘Poesia’ Category

Dia D, Drummond

A ideia de criar um dia especialmente dedicado à obra de Carlos Drummond de Andrade permite uma nova motivação para a leitura e apreciação da poesia.

Por certo poderíamos listar vários poetas e a cada um deles sugerir seu dia D. No entanto, a iniciativa de começar com Drummond parece ter sido uma excelente escolha, tanto pelo conjunto de sua obra como pela complexidade e abrangência dos temas em sua escrita.

 
 
Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente … e não a gente a ele!
— Mário Quintana
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Oficina de criação literária: Autorretrato

Oficina de criação de poemas realizada pelos alunos do 1º ano 1 após as leituras dos poemas com a temática do autorretrato.

Autorretrato

 

Ane Caroline Araldi

Sou quem o mundo pode confiar

Aquela que ninguém pode duvidar,

Sou quem minha aparência pode enganar

No seu ponto se vista, modo de analisar.

 

Atrás deste meu silêncio

Me perco em tanto pensar:

Será que um dia as pessoas irão mudar?

Valorizar a vida e não a desperdiçar?

 

Se algum dia precisar conversar,

Meu ombro estará aqui pra você chorar.

Sou quem na vida você pode contar.

 

Pro mundo conhecida como uma garota,

Pra Deus, como uma seguidora

E pra você, uma simples escritora.

 

Fernando Pessoa e os seus vários Eus

 

O nosso livro

O nosso livro

Florbela Espanca

Livro do meu amor, do teu amor,
Livro do nosso amor, do nosso peito…
Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,
Como se fossem pétalas de flor.

Olha que eu outro já não sei compor
Mais santamente triste, mais perfeito.
Não esfolhes os lírios com que é feito
Que outros não tenho em meu jardim de dor!

Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu!
Num sorriso tu dizes e digo eu:
Versos só nossos mas que lindos sois!

Ah! meu Amor! Mas quanta, quanta gente
Dirá, fechando o livro docemente:
“Versos só nossos, só de nós os dois!…”

Autorretrato – Repertório Poético III

Os primeiros poemas que compõem o Repertório Poético dos alunos do 1º ano 1 do Ensino Médio foram apresentados, lidos e discutidos em sala de aula.

Eu (Florbela Espanca)

Eu sou a que no mundo anda perdida,

Eu sou a que na vida não tem norte,

Sou a irmã do sonho, e desta sorte

Sou a crucificada…a dolorida…

 

Sombra de névoa tênue e esvaecida,

E que o destino amargo, triste e forte,

Impele brutalmente para a morte!

Alma de luto sempre incompreendida!…

 

Sou aquela que passa e ninguém vê…

Sou a que chamam triste sem o ser…

Sou a que chora sem saber porquê…

 

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,

Alguém que veio ao mundo pra me ver,

E que nunca na vida me encontrou!

 

Poema de Sete faces

Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem na sombra

disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

 

As casas espiam os homens

que correm atrás de mulheres.

A tarde talvez fosse azul,

não houvesse tantos desejos.

 

O bonde passa cheio de pernas:

pernas brancas pretas amarelas.

Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.

Porém meus olhos

não perguntam nada.

 

O homem atrás do bigode

é sério, simples e forte.

Quase não conversa.

Tem poucos, raros amigos

o homem atrás dos óculos e do bigode.

 

Meu Deus, por que me abandonaste

se sabias que eu não era Deus

se sabias que eu era fraco.

 

Mundo mundo vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração.

 

Eu não devia te dizer

mas essa lua

mas esse conhaque

botam a gente comovido como o diabo.


Autorretrato (Fernando Pessoa)

Quando olho para mim não me percebo.

Tenho tanto a mania de sentir

Que me extravio às vezes ao sair

Das próprias sensações que eu recebo.

 

O ar que respiro, este licor que bebo,

Pertencem ao meu modo de existir,

E eu nunca sei como hei de concluir

As sensações que a meu pesar concebo.

 

Nem nunca, propriamente reparei,

Se na verdade sinto o que sinto.

Eu Serei tal qual pareço em mim?

 

Serei Tal qual me julgo verdadeiramente?

Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,

Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.

 

Autorretrato (Manuel Bandeira)

Provinciano que nunca soube

Escolher bem uma gravata;

Pernambucano a quem repugna

A faca do pernambucano;

Poeta ruim que na arte da prosa

Envelheceu na infância da arte,

E até mesmo escrevendo crônicas

Ficou cronista de província;

Arquiteto falhado, músico

Falhado (engoliu um dia

Um piano, mas o teclado

Ficou de fora); sem família,

Religião ou filosofia;

Mal tendo a inquietação de espírito

Que vem do sobrenatural,

E em matéria de profissão

Um tísico profissional.

 

Com licença poética (Adélia Prado)

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

— dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.

Assaltaram a Gramática

 “O poeta é a pimenta do planeta.”

Repertório Poético – II (Atualizado)

Começamos hoje a confecção do portifólio que abrigará o Repertório Poético dos alunos do 1º ano 1. (Já estão no slide as imagens dos trabalhos dos alunos.)

 

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